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De Volta Para Onde Tudo Começou


Minha aventura no Brasil começou em 31 de agosto de 2002, em uma bela cidade chamada Manaus. Meus pais se mudaram para o Brasil como missionários em 2001, e eu nasci um ano depois — provavelmente por acidente, mas minha mãe nunca admitiria isso. Com sete filhos, alguns acabam sendo acidentes. Eu vim ao mundo pálido, de lábios grossos e olhos azuis — um contraste gritante com os outros bebês brasileiros naquela maternidade. Não me lembro muito do Brasil durante meus primeiros cinco anos de vida, apenas alguns fragmentos, flashes de memória, tipo jogando bolas de lama com meus irmãos nos carros que passavam (levei a maior bronca por isso), sendo derrubado por um varal de roupas enquanto jogava futebol, e batendo a cabeça nos meio-fios de concreto que cercavam nossas árvores de frutas enquanto brincava lá fora. Por algum motivo desconhecido, eu batia muito a cabeça quando criança. Acho que isso explica muita coisa, e até hoje não sei por que tínhamos meio-fios de concreto ao redor de algumas árvores — péssima ideia. Existem alguns aspectos do Brasil que estão gravados em mim até hoje. Minha culinária favorita é a brasileira, e a refeição mais reconfortante é feijão, arroz e frango com farofa, bem diferente do feijão, arroz e frango que se encontra nos Estados Unidos. Um dos meus favoritos é o açaí puro sem açúcar, que já me disseram ser algo muito manauara gostar do açaí sem adoçar. As tempestades chuvas frequentes em Manaus me trazem um grande conforto, e eu durmo como um bebê. Lembro-me de ir à escola no Alabama e todos os meus amigos comentarem que acordavam no meio da noite por causa de uma tempestade, enquanto eu dormia profundamente. Os telhados finos de metal e de telha me fazem sentir como se eu estivesse envolvido pela tempestade — como se ela estivesse dentro do quarto. Eu tive os primeiros cinco anos incríveis da minha vida. Nasci no paraíso. Em uma cidade imensa no meio de uma floresta gigantesca. Consigo imaginar o Senhor segurando a minha mão aos cinco anos de idade e pensando: “Meu filhinho, sua história no Brasil está longe de acabar”.




Minha família deixou o Brasil em 2007 e voltei só em 2015. Antes, um garoto de cinco anos no Brasil, agora com treze. Na semana em que estivemos em Manaus, percebi que tinha um amor profundo pelo Brasil. Esse amor emergiu do meu subconsciente como um submarino vindo das profundezas. Depois daquela semana, eu sabia  que viveria ali em algum momento da minha vida, muito além de viagens de semanas. Sentia amor demais por aquele lugar. Recordo-me de sonhar acordado com meu futuro no Brasil e até pensava em fazer faculdade lá. A primeira vez que o Senhor colocou uma visão no meu coração a respeito do Brasil foi alguns anos depois dessa viagem, quando eu ainda estava no início do ensino médio. Eu estava em um acampamento da igreja quando o pastor nos pediu para olharmos para a bandeira americana e orarmos pelos Estados Unidos. Eu lembro de olhar para cima e, no olho da minha mente, o Senhor trocar a bandeira americana por uma bandeira brasileira. Isso foi uma migalha de profecia. Eu era jovem quando aconteceu, então não pensei muito a respeito. Depois de alguns anos, acabei considerando aqueles sonhos sobre o Brasil apenas o que eram, devaneios, não as vi como visões. Eu estava prestes a ir para a faculdade, e aquilo era o início de um novo capítulo. Não deixei espaço para o Brasil ser escrito nele. No entanto, o amor e o sonho de que o Brasil faria parte do meu futuro voltaram a submergir no meu subconsciente, de volta às profundezas.



Voltamos para Manaus oito anos depois, no verão de 2023, enquanto eu estava na faculdade, e tudo que eu tinha percebido em 2015 ressurgiu. Nosso amigo próximo da família, o Pastor Davino, ficava brincando que eu ia virar o filho branco americano dele no Brasil, e eu apenas dava de ombros, porque apesar de o amor pelo país ter sido reacendido, eu não estava pronto para mudar minha vida toda do lugar e me mudar. (Aliás, quando digo “brincadeiras”, ele falava de um jeito brincalhão, mas todo mundo sabia que ele falava sério.) Isso foi outra migalha de profecia, mas na época eu não via assim. Eu tinha meus próprios planos onde eu morava e uma namorada que havia conhecido poucos meses antes. Me senti inútil durante aquela missão porque não falava a língua, nem era quiropraxista, e as clínicas gratuitas eram o foco principal da viagem. Então, no fim das contas, só fiquei meio que parado o tempo todo. Também odiava não conseguir entender todas as conversas boas que meus pais e irmãos mais velhos tinham sem mim. Voltei para casa com a missão de ser mais útil da próxima vez que voltasse ao Brasil. Comecei a fazer aulas de português, mas duraram só cerca de um mês. Fui preguiçoso, e o Brasil estava no final das minhas prioridades naquela época. Enquanto estava na faculdade, me afastei do Senhor, para dizer o mínimo, então minha vontade estava bem longe da d’Ele. Ele estava gritando comigo na época, e eu não conseguia ouvi-Lo nem parecia querer escutá-Lo. Ele podia estar me chamando para ir ao Brasil. Agora que penso nisso, provavelmente estava. Na verdade, minha namorada na época levantou a questão se eu queria me mudar para lá quando falei com ela uma noite durante a viagem. No entanto, com o passar dos anos, fui para a faculdade e esqueci todas as migalhas que o Senhor havia deixado. Por todo o amor que eu tinha pelo Brasil, Ele tinha um enorme trabalho a fazer em mim antes que eu fosse chamado de novo, com ouvidos para ouvir e coração para obedecer.



O Senhor decidiu que transformaria minha vida no verão de 2024, levando-me para uma pequena cidade linda escondida nas montanhas do norte da Califórnia chamada Etna, com uma população de cerca de 700 pessoas. Nos arredores dessa cidade fica o Rancho JH, um lugar onde “o avivamento acontece toda semana,” como Cal diz. Isso é um eufemismo, mas eu não tenho palavras nem tempo para descrever adequadamente o Rancho. Foram os três meses mais transformadores que já tive na vida. Cheguei ao Rancho como um carro quebrado com três pneus furados e vapor saindo do radiador, com um pouco de combustível no tanque feito de desespero e uma confiança incerta de que era ali que eu precisava estar. Em outras palavras, eu estava com problemas na época. Saí do Rancho três meses depois sabendo que ainda sou aquele carro quebrado comparado a Jesus, mas tinha algo diferente no tanque. Um novo coração, que desesperadamente queria fazer a vontade do Pai e era ávido pelo Seu amor. Também aprendi a botar em prática a transformação do coração graças a todo o conhecimento incrível que recebi das pessoas maravilhosas do Rancho. Entre o meu verão no Rancho e dois meses lindos no Scott River Lodge, voltei para casa com um fundamento firme e um novo chamado. No final de junho, o Senhor me chamou de volta ao Brasil enquanto eu estava no meu pequeno momento de quietude. Minha mente estava no Brasil, e ouvi Deus me dar um “Vai” firme, mas inaudível. Acordei na manhã seguinte e perguntei de novo, “o Senhor realmente quer que eu vá para o Brasil?” e Ele disse, “Vai.” Acordei na terceira manhã e perguntei a mesma coisa, “Você realmente quer que eu vá para o Brasil?” Ele disse, “Vai,” então eu respondi, “ok, eu vou,” e imediatamente senti o Espírito Santo vir sobre mim na primeira confirmação. Não fiquei surpreso com o chamado, mas senti alegria, êxtase, medo, antecipação, ansiedade, alívio e tudo mais ao mesmo tempo. Comecei a chorar feito um bebê. Descobri, na minha vida relativamente curta, que o Senhor nunca me leva a me arrepender da obediência e sempre me leva a me arrepender da desobediência. Sua presença se torna mais tangível em meio a obediência. Eu havia terminado com minha namorada de mais de um ano, com quem eu pretendia me casar, um mês antes do Senhor me chamar para ir ao Brasil. Estou tão feliz por ter obedecido ao Senhor quando Ele me disse para fazer isso, e tão feliz por ter obedecido vindo para o Brasil. Se não tivesse feito essas duas coisas, não estaria no lugar que o Senhor quer que eu esteja — o que é assustador, se você pensar bem. Entrei em contato com minha tia brasileira, uma pessoa extremamente importante e impactante, a Marília. Ela começou a trabalhar para meus pais aos 17 anos, quando eles se mudaram para o Brasil, e me viu crescer tanto no Brasil quanto durante suas viagens para os Estados Unidos. Ela é família para a minha família, e sem ela, não sei se ainda estaria no Brasil depois desses seis meses. Então, obrigado, Marília. Ela entrou em contato com o Pastor Davino, o mesmo que fazia aquelas brincadeiras de que eu me tornaria o filho americano dele, e recebi minha segunda e terceira confirmações espirituais durante esse tempo. A segunda foi uma mensagem de voz que recebi do Pastor Davino dizendo: “As portas da minha casa e da igreja estão abertas para você,” o que representa ele perfeitamente. Assim que ouvi essa mensagem, senti o Espírito Santo vir sobre mim de novo. Chorei alto novamente. A terceira confirmação foi enquanto eu conversava com o Neto, filho do Pastor Davino. Ele me disse que Deus me enviando era resposta às orações deles. Então, ali estava eu, exatamente um ano depois da viagem missionária, criando planos para morar na casa do pastor que continuava dizendo que eu precisava me mudar para o Brasil e viver com a família dele. (Só percebi que era exatamente um ano depois da viagem missionária enquanto escrevia isso.) Liguei para minha família na semana seguinte, e todos foram incrivelmente reafirmadores e apoiadores. Convenientemente, meu passaporte brasileiro vencia em janeiro de 2025, então pude passar as festas com minha família antes de partir, o que foi uma bênção maravilhosa. Deus é tão BOM.




Depois do Rancho e do Scott River Lodge, passei os dois meses seguintes me preparando para minha mudança. Fui inspirado pela história de Jesus e do infame jovem rico no evangelho de Mateus 19:16-30. O jovem rico não conseguia deixar de lado suas posses terrenas para seguir aquele que, no fim, sacrificaria sua vida por ele. Ele ficou cara a cara com aquele que tem autoridade sobre tudo e praticamente lhe disse que as posses terrenas, que vão desaparecer, eram importantes demais para abrir mão. É difícil para mim entender a resposta do jovem rico, mas então percebi que não sou melhor. Nenhum de nós é. Talvez eu nunca tenha olhado Jesus nos olhos e dito “não”, mas já disse não a Ele, mesmo sabendo que Ele sacrificou tudo por mim. O jovem rico não sabia naquele momento que Jesus morreria por ele, então não tenho direito de julgá-lo. Posso imaginar que ele tenha se arrependido da decisão. Jesus continua com uma advertência dura em Mateus 19:23-24: “Em verdade vos digo que dificilmente entrará um rico no reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus.” Só para deixar claro, Jesus não está dizendo que é impossível para os ricos irem para o céu. Se fosse, muitas pessoas nos Estados Unidos estariam no inferno, pois a maioria dos americanos é rica comparada ao resto do mundo. No versículo 26, Jesus diz: “Para o homem isso é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis.” Jesus está dizendo que é impossível para um rico entrar no céu sem Deus. Isso é óbvio, pois é impossível para qualquer um entrar no céu sem Deus. Na primeira parte da história, Jesus nos diz que a expectativa é maior que apenas ser moralmente correto. Seguir os mandamentos do Senhor é ótimo, mas Ele quer mais. Ele é um Deus ciumento. Ele quer tudo de mim. Se a vida fosse um jogo de pôquer e o Senhor fosse o dealer, Ele me mandaria apostar tudo logo na primeira jogada, antes mesmo do flop. Claro, eu posso olhar minhas cartas, mas elas não importam. Minha estratégia não muda, não importa a mão que receba. Entregar tudo é o mais difícil nesse cenário, mas a coisa mais valiosa que podemos oferecer ao Senhor é a nós mesmos. Uma vida entregue é muito mais valiosa para Ele do que toda a riqueza deste planeta junta. Tudo vai virar pó. Até os diamantes. Quanto mais o Senhor me liberta das coisas do mundo, mais valor eu trago para o seu reino, e mais posso maximizar o retorno do investimento que Ele fez por meio do Seu Filho. Não no sentido de que minha vida vale mais que a de outra pessoa, mas no sentido de que me torno uma ferramenta mais valiosa para o Senhor. Uma ferramenta que pode ser usada a qualquer momento segundo a vontade do Pai. O Senhor nos ama igualmente, mas é cristalino que Ele usa alguns mais que outros, o que não é por acaso. Gosto muito desta frase do pastor Chris Hodges, da igreja Highlands: “O Senhor tem favoritos, e podemos escolher ser um deles.” Se eu sou um escravo sobrecarregado pelas coisas do mundo, sou como uma pá velha de concreto. Fui criado para cavar, mas agora estou preso como uma pá de concreto. Meu instrumento foi ofuscado por concreto que não consigo tirar, não importa o que minha cabeça tente carregar. Também não consigo carregar tanto material porque o concreto preso ocupa espaço. Minha cabeça está mais pesada do que deveria, então fica mais cansativo para quem me usa. No fim, carrego menos que uma pá limpa, e isso requer mais energia para fazer menos trabalho. Acho que é assim que o Senhor se sente sobre nós. Não que Ele se canse, mas que Ele segue o caminho da menor resistência e só usa os que estão dispostos a ser usados (Mateus 10:14). O Senhor chega e me pergunta, ou pergunta à pá: “Eu tenho um martelo aqui, e basta uma boa batida para todo o concreto acumulado começar a cair.” O jovem rico acumulou concreto na cabeça da pá em forma de posses, e quando Jesus ofereceu para tirar isso dele, ele disse não. O jovem viu isso como um peso quando era o caminho para a verdadeira liberdade. No meu caso, fiquei extremamente endurecido pelos anos de concreto acumulado na faculdade. Por isso, levou muitas batidas para me tornar mais útil. Ainda levará muitas mais para continuar maximizando a oportunidade que a cruz me deu, mas quando realmente encontramos o Deus vivo, quando Aquele que criou as estrelas e a areia nos bate, é como um caminhão, e o concreto simplesmente se quebra. O inimigo precisa fugir! Agora as batidas são muito mais suaves, e meus novos hábitos me permitem dar espaço para o Senhor me limpar antes que o concreto endureça de novo. Talvez um dia isso seja tudo que eu precise: só um pouco de água para me manter limpo depois de cada uso. Isso exige que eu me ajoelhe diante Dele em arrependimento: Senhor, sinto muito por permitir que o concreto endurecesse sobre meu coração. Humilhe-me, liberte meu coração disso, limpa-me com a água pura do Espírito Santo, lava-me desse pecado antes que endureça em meu coração. Não esqueça que há uma segunda parte tão importante quanto. Jesus está alertando os que foram abençoados com riquezas. Os ricos estão brincando com fogo ou concreto. Sem o Senhor do seu lado, serão consumidos por isso. Vai endurecer seu coração e impedir que Ele os use. Tornará você resistente às batidas Dele, e nenhuma limpeza adianta, a menos que você convide o Pai quando Ele disser para largar os pesos do mundo. Às vezes o Senhor permite que a vida nos bata, mas percebi que prefiro que a batida venha num momento com Ele. Não digo que devemos temer ou fugir das riquezas; o Senhor é maior que qualquer coisa que o inimigo use contra nós. Só digo que devo estar preparado para entregar TUDO a qualquer momento, não importa com o que o Senhor me abençoe. Afinal, tudo é Dele mesmo. A história de Jó é algo que coloca o temor do Senhor no meu coração. Preciso estar sempre preparado para passar por uma provação equivalente a essa a qualquer momento. Ainda estou longe disso, mas esse é meu parâmetro. Também gostaria de apontar que essa mensagem vai além da nossa perspectiva americana sobre os ricos. Há muitas pessoas neste mundo que são “pobres”, mas gastam seu dinheiro de forma tola porque suas prioridades estão erradas. Essa parábola, combinada com qualquer versículo sobre a provisão de Deus (meu favorito é Malaquias 3:10-12), estabelece a base da verdade que deve determinar o princípio pelo qual percebemos tudo. Tudo começa com a fé de que o Senhor é meu único provedor, e eu não posso permitir que posses terrenas fiquem entre Ele e eu. Seja eu tão abençoado quanto o rei Salomão ou tão não abençoado quanto Jó, minha fé não mudará. Caso contrário, posso estar preso no inferno tentando fazer um camelo passar pelo fundo de uma agulha pela eternidade.


Fé sem obras é morta (Tiago 2:17). Na verdade, não há fé verdadeira a menos que haja o fruto das obras para sustentá-la. Felizmente, Deus transforma o que o inimigo planejou para o mal em bem. Então, 2000 anos depois daquela interação, aprendi o que não fazer com o jovem rico e o que fazer com Jesus. Decidi doar ou vender a maior parte dos meus pertences de valor e doar o dinheiro que ganhei com o que vendi. Isso incluía meu belo, amassado e um pouco enferrujado Mercury Grand Marquis 2007. Meu objetivo era levar tudo que eu possuía para o Brasil em duas malas despachadas, uma bagagem de mão e um item pessoal, e consegui. (Isso incluía presentes para brasileiros.) Honestamente, acho que todo cristão deveria ter a oportunidade de fazer isso pelo menos uma vez na vida. Todo cristão que conheço, incluindo meus pais, que fez isso colheu frutos incríveis, então não exigiu tanta fé de mim. Há uma razão pela qual Jesus e os apóstolos viviam de forma simples: para não se apegarem a nada, e assim fazer a vontade do Pai se tornava muito mais fácil. Posso não estar apegado às coisas que possuo, mas, ainda assim, elas podem me pesar na busca de maximizar meu valor para o reino. Mesmo que Jesus fosse um homem rico e tivesse muitas coisas, Ele estaria disposto a abrir mão de tudo a qualquer momento. A única forma de provar para mim mesmo que estou disposto a fazer isso é fazendo. É uma maneira prática de viver dois princípios que são incrivelmente importantes para Deus. Além disso, foi um treino para o futuro, quando Deus me pedir para sacrificar coisas maiores. Então, depois que me livrei das minhas coisas, parti para o Brasil.



O ponto vermelho à esquerda da rota de voo é Manaus.
O ponto vermelho à esquerda da rota de voo é Manaus.

Parti para voar de Atlanta no dia 16 de janeiro às 10:00 da manhã, e só chegaria em Manaus às 10:00 da manhã do dia seguinte, então 24 horas de viagem para esse garotão aqui... Uhuu! Tive um voo de dez horas de Atlanta para São Paulo, que fica na verdade 1.700 milhas ao sul de Manaus, e a rota do voo acabou passando a menos de 400 milhas a leste de Manaus. A passagem teria sido quase o dobro do preço se eu tivesse voado direto para Manaus, mesmo eu indo mais 2.400 milhas. (A distância de Los Angeles a Nova York de avião). Para colocar isso em perspectiva, seria como voar de Nova York para chegar em Chicago, e sair mais barato voar primeiro para Los Angeles, sendo que a distância de Nova York a Los Angeles é 4.700 milhas nesse cenário... totalmente louco. Manaus tem 2,5 milhões de pessoas na área metropolitana. É do tamanho de Chicago. Seria mais compreensível se fosse uma cidade pequena, mas não é o caso. Quando cheguei no aeroporto de São Paulo, tinha duas horas para pegar o portão de conexão. Isso é tempo suficiente, certo… certo? Rapidamente percebi que era o aeroporto mais mal planejado que já estive, e não ajudou o fato de que eu não conseguia ler nenhum sinal nem pedir ajuda a ninguém. Não lembro muito do aeroporto porque era enorme, caótico e excessivamente estimulante. O primeiro problema ocorreu quando demorou mais do que eu esperava para pegar minha mala, porque não enviaram uma das minhas malas despachadas para a esteira, então tive que sair procurando por ela. Felizmente, encontrei alguém que falava um inglês bem capenga e me levou ao lugar certo. Outra coisa: só porque alguém diz que fala inglês, NÃO significa que fala inglês. Depois que peguei minhas malas, tive que sair do aeroporto e voltar tudo de novo passando pela segurança e tudo mais. Imagine um gringo alto e pálido carregando duas malas enormes, uma de 34 kg e outra de 23 kg, tentando ainda empurrar a bagagem de mão. Sem contar que não tinha ar-condicionado na maior parte do aeroporto, e era verão em São Paulo na época. Podia até ser um aeroporto, mas eu parecia um ator principal de um filme de guerra carregando soldados feridos para o médico. Só que o personagem principal não fala a língua do médico para quem está levando os feridos. Finalmente cheguei no balcão de check-in. Não esperava ter que despachar as malas de novo depois de ter feito isso em Atlanta, então foi uma surpresa feliz. Fiquei 15 minutos na fila até alguém vir me dizer que eu estava na fila errada, mesmo eu tendo sido colocado ali por outro funcionário. Finalmente despachei minhas malas e fui para o terminal. Já tinham se passado de 45 minutos a uma hora. Foi aí que as coisas começaram a ficar realmente malucas. Se você já foi ao aeroporto de Atlanta, sabe que é enorme, mas parece relativamente pequeno, ou pelo menos não parece tão grande quanto é. O aeroporto de Atlanta é um exemplo de um aeroporto projetado para fazer o máximo de gente entrar e sair. (O aeroporto de São Paulo não é assim.) Lá tem alas internacionais e nacionais, e geralmente você pega um trem para o terminal, onde o portão fica perto. Tenho total confiança que conseguiria me virar no aeroporto de Atlanta sem falar nada de inglês. Agora imagine um aeroporto gigante parecido com Atlanta (a população da região metropolitana de São Paulo é cerca de 23 milhões), só que não tem alas internacionais e nacionais claras, cada terminal é como um aeroporto separado, e não tem trem. Cada terminal tem estacionamento, segurança e check-in próprios. Entre os terminais tem literalmente um mini shopping. Eu parecia estar em Nárnia. Num momento eu estava num aeroporto, no outro num shopping, e no seguinte num aeroporto completamente diferente. Lembre-se: essa versão de Nárnia não está escrita em inglês. Finalmente cheguei ao terminal que deveria estar depois de ter feito isso duas vezes. Na hora eu não percebi, mas tive que atravessar o aeroporto inteiro. Cheguei de um lado e parti do lado oposto. Se passaram mais 30 minutos, e eu tinha só 30 minutos para passar pela segurança e chegar ao portão. Nesse ponto, eu já tinha concluído que não ia conseguir. Levei pó de proteína simples, creatina e sal (não me pergunte por quê). Dois desses pareciam exatamente cocaína, então tinha certeza que me parariam. Já que eu estava num país que produzia muita cocaína. Também fui parado no aeroporto de Atlanta para testar tudo. Para minha surpresa, me deixaram passar. Só para constar, eu não tenho muita confiança na segurança do aeroporto de São Paulo. Cheguei no portão na hora do embarque, mas tinha esquecido de um aspecto muito importante do Brasil: nada funciona no horário. Acabei esperando mais 30 minutos para embarcar. Incluo isso na história porque é um ótimo exemplo de como é viver no Brasil, e envolve a primeira coisa que o Senhor quis trabalhar em mim no Brasil — paciência. Vou detalhar mais com outros exemplos no próximo blog, mas para manter a continuidade e o tamanho, quis deixar esse exemplo neste texto.



Na primeira semana que cheguei ao Brasil, minha mãe brasileira, Donna Ionde, contou para minha mãe americana e para mim que teve um sonho em que estava grávida. Ela já é muito velha para gerar filhos, mas nesse sonho ela teve o bebê. Quando ele nasceu, já era adulto, branco, com cabelo ruivo. Ela perguntou a Deus o que esse sonho significava. A resposta veio um mês depois, quando Neto, meu irmão brasileiro, disse a ela que eu estava vindo. (Minha barba cresce ruiva, por alguma razão.) Depois de três semanas no Brasil, eu estava conversando com minha irmã brasileira, Sofia, quando ela me disse que as piadas que o pastor Davino fazia durante a viagem de 2023 eram as mesmas que ele fazia na viagem de 2015. Mais duas migalhas de profecia que foram reveladas para mim. O Senhor me faz rir às vezes com Suas profecias. Ele não age sem avisar alguém antes. 



Durante todo esse processo, desde o momento em que saí de casa nos Estados Unidos até o momento em que cheguei no meu novo lar no Brasil, permaneci calmo e centrado por dentro. Sim, algumas partes foram estressantes e muito estimulantes, mas isso não me abalou. Eu estava firme. É assim que a vida é com o Senhor. Percebo que fico tão confiante e em paz quando estou conectado à fonte. Isso eu aprendi com Bruce, um dos muitos ditados do rancho enquanto estive lá: “Felicidade é determinada pelo que está acontecendo, enquanto Alegria é a confiança profunda e enraizada de que o Senhor está no controle.” Esse princípio é simples. Se eu não estou em um lugar de alegria, então estou fazendo algo de errado comigo ou meu coração está no lugar errado. O Senhor me promete alegria, então eu acredito na palavra dele. (Neemias 8:10) É como um código secreto quando vivo com verdadeira alegria. Eu não jogo o jogo da vida pelas mesmas regras dos outros. Posso agir além dos limites do jogo. O que afeta outros jogadores não me afeta. A circunstância pode ser estressante e esmagadora, mas sempre posso me apoiar na minha confiança, o Senhor. Esse foi um exemplo de fator estressante do qual  me orgulho da forma como lidei. Também foi relativamente fácil para mim. Já viajei muito na vida e sempre sozinho. No fundo, foi parecido com outras experiências, então os fatores estressantes eram só as coisas novas que enfrentei no meio de uma experiência que eu já tinha — viajar sozinho. Espero não ter passado qualquer arrogância ou presunção nesse primeiro blog. Sou um desastre completo sem a ajuda do Senhor, então é tudo Ele. No próximo blog, vou contar como foram meus primeiros 6 meses no Brasil, e posso dizer, sem dúvidas, que não me orgulho da minha resposta. Tem sido uma prova diferente de tudo que já enfrentei.


 
 
 

10 Comments


Dany Bastos
Aug 29, 2025

Que história lindaaa ! Morrir de rir quando esteve no aeroporto de São Paulo , kkkk.

Que o Deus de Israel e nosso Senhor Jesus, te abençoe muitíssimo no Brasil, 🇧🇷, conte comigo meu querido .

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@leandrooobarros
Aug 27, 2025

Grato por compartilhar seu testemunho de fé, e encorajar a viver os sonhos de Deus para nossas vidas através do seu testemunho, cada passo de fé é a certeza que o caminho certo está sendo trilhado por aquele que tem como sua palavra a lâmpada para nossos pés, grande testemunho o seu.

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Messias lindoco
Aug 26, 2025

Poggers 🙏⭐

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Guest
Aug 26, 2025

Parabéns, por sua decisão e que sua vida seja uma inspiração para outros jovens. Se você precisa de algo pode nos contatar, Eu e o pastor Ari temos um carinho especial por seus pais.

9298809-2127. Moramos em Manaus .

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Anne Carol
Aug 26, 2025

História inspiradora, Heisman!

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